segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Poema de decepção

Para mim, a experiência da carne
que mais me dói é o amor.
O amor de dar,
de receber.
O amor que me exige
o aceitar,
o aceitar-se
e o aceitar do mundo
e da vida
como ela se dá.
Para mim, a experiência da carne
que mais me dói é o amor.
O amor da recusa,
o amor do não,
da morte cotidiana
e do suicídio.
O amor da submissão
e do fim.
Para mim, a experiência da carne
que mais me dói é o amor.
O amor que sangra,
aquele que me arde,
que me abre as feridas.
O amor que crava
as podres unhas na pele
e arranha no corpo e na alma
até que a carne se torne alma
e que a alma se torne carne.
Até que tudo se torne poesia.
Para mim, a experiência da carne
que mais me dói é a poesia.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

À minha Gabriela

Meu cravo, minha canela
Gabriela dos temperos e sabores
Gabriela dos céus e da terra
E de todos os amores
Minha Gabriela doce, das cores
Do quarto enfeitado
Das tintas, das roupas usadas,
Gabriela do abraço apertado
Gabriela das fotos tiradas,
tratadas, expressadas, endeusadas,
qualificadas, amadas.
Gabriela das fotos rimadas,
Das fotos ritmadas, musicadas,
Gabriela das fotos encantadas, experimentadas.
Gabriela do amor infinito
do pensamento oculto,
do mistério e da atitude,
do silêncio e da solidão.
Gabriela do meu perdão.
Gabriela da ilha, da Kahlo,
de Berlin, do pôr-do-sol.
Gabriela da infância,
e agora, Gabriela na distância física.
Gabriela presente em mim,
sempre e por toda a vida!
Gabriela linda,
Gabriela da minha poesia,
Que entra em sintonia
E me arrebenta toda a paz
Gabriela, minha surpresa.
Gabriela que sem dúvida é capaz
De amar a vida que traz.
Gabriela dos encantos
Do medo e da saudade.
Gabriela da mente que voa
Que me é difícil acompanhar,
Gabriela do peito aberto
Que faz o mundo gritar.
Gabriela dos sons, das luzes,
Gabriela das inseguranças,
das piadas de criança.
Gabriela do meu mundo colorido,
Do meu mundo tudo-melhor,
Do meu mundo como-é-bom-viver,
Do meu universo como-é-bom-amar.
Gabriela das obras de arte e das comotions,
Da liberdade da vida,
Das aflições desenfreadas diante de tudo
E das inquietações diante do penhasco
em que se encontra a humanidade.
Gabriela dos sonhos coloridos,
E da família engraçada,
E dos entorpecentes.
Gabriela que me entorpece,
E deliro...
Deliro de te amar tanto,
Deliro na morte de mim no sorriso teu.
A alma me entorpeces
E fazes de mim a vida
que há no encanto teu.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

E o gosto amargo do café forte
e do cigarro da manhã
são como mel entre meus lábios,
quando assim, acordo em ti.
Quando desperto do sono leve
e te encontro a respirar,
chego no limite de mim.
Chego no estado mais aguçado de mim,
quando tocas minha pele febril
e evocas minha alma na tua.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O que será que será - Chico Buarque

O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo

segunda-feira, 28 de junho de 2010

E meu estômago arde como meu peito,
de te ter presente em cada segundo do meu dia.
De lembrar que o momento "já foi"
poderia estar estático,
suspenso no ar feito o suspiro meu.
De te lembrar em meu seio, olhos bem fechados,
respiração funda e sorriso no rosto.
Arde de esquecer da vida por qualquer esmola,
qualquer mísero sorriso.
De esquecer de mim no abraço teu.

domingo, 30 de maio de 2010

Poema apodrecido

Tua beleza se esconde por trás
de máscaras de crueldade e repressão.
És frio e duro e podre
és falso moralista
és tão belo que machuca toda a minha alma
quando te vejo.
Tua beleza está quando te encontro garoto,
quando deixas de ser homem, em toda a tua covardia
quando me deixas em prantos e em solidão.
És tão belo, que choro.
És um rosto inatingível e lindo
e és amargo.
És o beijo adocicado,
e és minha fria morte, o pecado.
És o fim do meu dia
e o começo da minha poesia,
és minha destruição em insanidade
e és a vida suspensa em arte.
Tua beleza é o produto tóxico do meu cigarro,
minha tortura.
És enfim, neste momento,
minha triste manhã chuvosa,
minha falta de paciência, meu aperto no peito,
és meu apetite desenfreado
e minha gastrite tortuosa.
És este poema ruim e sem fundamento
és tudo o que não escrevi em prosa.
Tua beleza é meu último verso,
meu exorcismo e meus demônios aguçados.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Metade




Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

Oswaldo Montenegro

Metade

Eu perco o chão, eu não acho as palavras
Eu ando tão triste, eu ando pela sala
Eu perco a hora, eu chego no fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim


Eu perco a chaves de casa
Eu perco o freio
Estou em milhares de cacos, eu estou ao meio

Onde será que você está agora?

Eu perco a chaves de casa
Eu perco o freio
Estou em milhares de cacos, eu estou ao meio

Onde será que você está agora?


Adriana Calcanhoto

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Soneto da tua partida

E tremo na infinita escuridão
Que arde em teus olhos, ferozes
Surgem em mim, inquietas vozes
Em teus olhos de vasta podridão

És para mim, o mar, a imensidão
Teus beijos, agressivas overdoses
És o cigarro, minhas tuberculoses
És minha morte e ingratidão

E assim te deixo ir com exatidão
Para te perderes n'outros encantos
E espero muito que não me voltes

E na angústia de escuros cantos
Continuam minhas lágrimas, fortes
Perdidas em dolorosa mansidão.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Sofro

Sinto, cada vez mais, a agonia de me escapares aos poucos. É como saber que jamais serás meu, mas também jamais conseguir reconhecer isso. É como estar diante do abismo e não querer enxergar a morte, ou até não querer morrer. Me escapas diariamente, como uma coisa que já faz parte da rotina; como arrumar a cama, escovar os dentes, ler, fumar um cigarro... e assim te perco. Perco aquilo que jamais tive, desfaço tudo aquilo que sempre esteve apenas no imaginário e derramo lágrimas por algo que ainda não pude viver. Vou, aos poucos, enxergando que sempre estive só e que nunca foste parte real de mim. Assim como te perco, me perco tanto em dor, pois dói tanto perder aquilo que nunca tivemos. Dói tanto saber que as recordações são poucas, intensas e poucas recordações. Vontade de mais.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Sublime II

Ah! E como tremo quando assim me beijas. É como estar diante do infinito e poder, com toda a segurança, tocá-lo. É como beijar a madrugada suspensa na escuridão ou como estar estagnado em uma lentidão tão saborosa de se apreciar. É como beber um bom vinho ao som de uma bossa e tragar um cigarro leve e prazeroso. Prazer! Beijar-te é como conhecer o prazer e saber que ele não é abstrato, que tem forma e que se concretiza quando meus lábios se unem aos teus.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Vício

Quero tragar-te agora
como trago este cigarro.

domingo, 25 de abril de 2010

Portugal, the man - People say




Save me,
I can't be saved,
I won't.
I'm a president's son,
I don't need no soul.

All the soldiers say
"It'll be alright,
we may make it through the war
if we make it through the night."
All the people, they say:
"What a lovely day, yeah, we won the war.
May have lost a million men, but we've got a million more."
All the people, they say.

Share with me
all of your pain,
I won't share your love,
I need all your love.

All the soldiers say
"It'll be alright,
we may make it through the war
if we make it through the night."
All the people, they say:
"What a lovely day, yeah, we won the war.
May have lost a million men, but we've got a million more."
All the people, they say.

Save me,
I can't be saved,
I won't.
I don't need no love.
I'm a president's son.

All the soldiers say
"It'll be alright,
we may make it through the war
if we make it through the night."
All the people, they say:
"What a lovely day, yeah, we won the war.
May have lost a million men, but we've got a million more."
All the people, they say.
All the people, they say..

It'll be alright,
It'll be alright,
It'll be right now.

All the people, they say.

sábado, 24 de abril de 2010

Encantador III (hahaha)



O iluminado (The Shinning) - Stanley Kubrick(direção)
O melhor filme do mundo. A melhor atuação de Jack Nicholson ever.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Hoje

E hoje, debruçada em minhas lembranças, chorei. Chorei com um chorinho fino, de quem quer exprimir fortes lágrimas de dor, mas não consegue. Chorei como uma crinaça implorando por atenção, mas sem que ninguém me pudesse atender. Escorreu apenas uma única lágrima que não me frustrou e muito menos aliviou. Tentei, juro que tentei com esforço de praticante, que caíssem demasiadamente inúmeras lágrimas, mas de repente, ali, elas secaram e permaneceram duras e estáticas diante de tudo. Gostaria tanto que elas viessem aos montes, como rios violentos entre pedras que levam simplesmente tudo! Gostaria que minhas lágrimas viessem e sim, levassem tudo! Levassem dor, tristeza, angústia, alegria, sorrisos e que me restasse somente uma respiração leve, de quem atingiu um momento sublime de êxtase e exaltação de sentidos.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Encantador II

Cotidiano

E é na ânsia de te ver que passo os dias sufocando todas as minhas angústias, talvez, de amor. Passo os dias de grande ociosidade, imaginando como tudo foi, como é, e como poderá ser. Passos os dias em suspensão da realidade e passo os dias esperando que passes por mim. Passo pelos dias e todos eles são somente dias, quando assim não te encontro. Passo os dias suspenso em morte, esperando que me tragas toda a vida de que preciso para respirar, expirar, inspirar, suspirar. Pirar. Estou a surtar em poesia.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Clichê

Sabe-se que de todos, sou o mais atormentado
Sou como um pássaro livre que insiste tanto
Em buscar a vida, mesmo quando se há pranto
Sou, de todos os amantes, o mais apaixonado.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Desabafo

E se te carrego tanto em mim
Como uma ferida cravada em minha essência
Transformo minha dor
Em palavras várias e árduas
Perdendo todo o máximo sentido de existir
Palavras essas que correm, vagam, surgem,
Emergem, rasgam toda a vida que há em mim
Carrego-te com tanta agonia
Que é insuportável verbalizar
E eu tento
Tento, em vão, enquanto
Teus agressivos e doces olhos
Tanto me tentam
E, de novo, morro em ti.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Sublime

É como se minhas entranhas devorassem toda a minha alma
Sugassem para si cada energia que resta em meu corpo
E eu tremo
Como tremo quando assim me olhas
Com teus olhos entupidos de tanto mistério
Teus olhos que me buscam desesperadamente
Na esperança
De que meus olhos correspondam
Mas minha face avermelhada
Minhas mãos suadas
Tornam meus olhos tão covardes diante dos teus,
Que num impulso que me desgosta, desvio meus olhos
Finjo perder-me na mansidão do mundo
Queria eu perder-me na mansidão dos teus olhos e, por inteiro,
Sufocar minha alma dentro de ti.
Sinto que nada mais vale que ficar ouvindo tuas palavras sempre tão polidas e sinceras e,
Nada mais vale, senão buscar assuntos que agradem teus ouvidos e tentar,
Por menor que seja, abrir teu sorriso com besteiras absurdas que te falo
Sinto que nada mais vale, senão te procurar por todas as minhas manhãs e tardes e noites
Para que talvez eu possa respirar o alívio de te ter cada vez mais meu.

terça-feira, 30 de março de 2010

Versos soltos

A grande amargura que corrói
é saber que é dado
somente aquilo que se precisa para sobreviver
e muito pouco de tudo o que faz viver.
Essa, é a grande e misteriosa dor humana:
importar-se com tanto vazio do material
e viver na angústia do desamor.
O desamor dói.
Dói como um riso não compartilhado.
É como ter tanta vida
diante de tanta morte.
Ah! Se tivessem todos tudo o que tenho!
Tanto amor para com todos que vivem,
tanta poesia para reinventar,
tanta paixão para muito arder.
Se tivessem todos, um leve tocar,
seria como viver um delírio cheio de mansidão
e para sempre serenizar.

domingo, 14 de março de 2010

Livre

Da melancolia escura que me arde
Como um livro vivo, que resplandece
Faço de toda a poesia minha prece
Calma e simples como o fim de tarde.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Soneto de morte

E se a todos existe essa vontade
Do desesperado grito de abandono
Gritem todos nas horas de sono
Horas em que se tem mais piedade

Voltem-se todos contra a vaidade
E ao estado de se ter um dono
Serenizem nas noites de outono
E no deleito da escura eternidade

Gritem! E gritem a todos os ouvidos
Cantem à morte, cantem à vida
E cantem em gritos à fria solidão

E que assim seja a hora da partida
A doce partida, cessando a respiração
De todos os corpos nus, apodrecidos.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Saindo de casa, cai um dilúvio. Daqueles que é bonito de assistir. Daqueles que liberam um odor muito peculiar e saboroso. E sim, ele decidiu me acompanhar durante o caminho todo. Mas era bom.
Eu estreava meu novo guarda-chuva amarelo, com personagem de desenho animado e infantil, é claro. Até perguntei para o vendedor se havia um guarda-chuva igual, porém no tamanho para adultos e realmente acho desnecessário informar a resposta.
Me senti como uma criança de novo, feliz da vida, por ter um guarda-chuva tão alegre, no meio de tantos outros pálidos e tristes. Até que observei, caminhando em minha direção, um garoto que deveria ter no máximo doze anos de idade, com um guarda-chuva cinza, triste e grande para adultos. Fiquei perplexa ao ver que o garoto não carregava um guarda-chuva alegre, ou pelo menos com personagens, afinal, a graça de ser novo, é poder se divertir com coisas assim. E pensei que realmente, se até as crianças não se divertem mais com gurda-chuvas coloridos, qual será o futuro das cores um dia?
Enfim, após pensar em todas essas coisas, passei por um ponto de ônibus e pude perceber mil cabeças torcendo o pescoço para olhar o super ultra amarelo guarda-chuva que me acompanhava. Sim, acompanhava. Porque um guarda-chuva com tanta alegria, tem quase vida própria, portanto não pode ser levado ou carregado, mas sim, me fazer companhia para todos os lugares que vou. Então, retomando, as pessoas do ponto de ônibus olharam para mim e principalmente para meu guarda-chuva que caminhava comigo, sobre mim, e olharam aquela cena com grandes olhos julgadores e certos e socialmente aceitos e completamente cheios de bom senso e sem nenhum tipo de insanidade e, com certeza, naquele momento, pude ler seus pensamentos como faz aquele bebedor de sangue do filmezinho de meninas apaixonadas. Eles variavam em: "nossa, ela tá muito velha pra isso", "pode ser bonitinho, mas é inútil, é de criança, por isso molha tudo", "essa é louca mesmo, guarda-chuva pequeno, óculos grandes e cara de lunática", "nossa, amarelo é simplesmente a coisa menos fashion que existe, não combina nenhum pouco com a roupa dela!".
E todos esses pensamentos do que eles poderiam estar pensando foram pensados por mim em um flash de exatamente 4,557658678 segundos.
Cheguei na faculdade, fechei meu companheiro e grande amigo amarelo e quando o sol subia, vi seu rosto amarelo iluminado e pensei: "Putz, tô atrasada!"